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Thainara Faria
Deputada Estadual PT-SP

Defender é um dever

Defender é um dever

“Um homem espancou esposa e incendiou a casa e os filhos, além de mais 20 barracos da vizinhança.”

“Homem foi ao local de trabalho da ex-mulher e atirou à queima-roupa.”

“Homem atropelou a ex-namorada, arrastou-a debaixo do carro por um quilômetro. Mulher teve as duas pernas amputadas.”

“Influenciador ‘red pill’, que teve grande ascensão na internet a partir de falas misóginas, foi preso por agredir a namorada.”

O ano é 2026 e nós ainda estamos discutindo sobre o quão urgente é o trabalho de defesa da integridade física, mental, social e patrimonial das mulheres no Brasil. O ódio e o desprezo pela existência da mulher têm sido cada vez mais explícitos e extremos no nosso país e, nós enquanto população e poder público, temos que entender o nosso dever em não aceitar e não nos acostumar com notícias devastadoras como as que inundaram o Brasil no último mês.

Além da própria violência física e psicológica que levam às extremas fatalidades, a misoginia pode se manifestar de muitas formas a partir de depreciação, humilhação ou objetificação da mulher. Além da reprodução das falas que ridicularizam o corpo, diminuem a autonomia e a inteligência da mulher.

O ano é 2026 e nós ainda temos que escrever sobre o quão prejudicial, violento e ilegal é discriminar, ofender e se sentir no direito de ferir gravemente e tirar a vida de alguém simplesmente por ser mulher, como se ela fosse um objeto em sua posse ou um animal de estimação que deve obedecer o seu dono.

Todas as mulheres estão sujeitas a todos os tipos de invasão e violência diariamente, independente de sua formação acadêmica, classe social, profissão ou estrutura financeira. Nos espaços políticos de poder, nas empresas, nas frentes de trabalho em todo o país temos mulheres que, em algum momento de suas vidas, já passaram por algum tipo de privação, humilhação, desrespeito ou até graves ameaças simplesmente por serem mulheres.

Os índices de feminicídio aumentam a cada ano, revelando que a prática deste crime continua sendo um problema estrutural no Brasil. Estamos com a sensação de que a lei age apenas quando a violência ultrapassa o campo psicológico e isso é inaceitável.

Por que, mesmo sabendo que é crime, as pessoas não se sentem intimidadas em continuar violentando as mulheres dentro e fora de casa? Mesmo com as exposições na internet e a facilidade em localizar um agressor, ele não se amedronta e continua covardemente querendo provar sua dominância diante daquela mulher a qualquer custo?

O ano é 2026 e a gente ainda tem que explicar o quanto é difícil ser mulher no Brasil, o quanto é frustrante não poder se sentir 100% respeitada nos lugares que frequenta, o quanto é cansativo ter que se programar por onde anda e em qual horário para não ser violentada na rua.

A pauta de defesa dos direitos das mulheres pra mim sempre foi prioridade, pois, antes de ser uma jurista, antes de conhecer os termos técnicos da lei, e muito antes de ocupar cargos públicos eletivos, eu sou mulher, sou filha, vi de perto a violência contra a mulher dentro da minha casa e tenho propriedade e coragem para dizer que nunca deixarei de trabalhar dentro e fora da política para proteger e ampliar os direitos de todas as mulheres deste país.