Caminhando contra o vento ou em direção a ele?
Nos últimos cinco dias presenciamos o Deputado Federal Nikolas Ferreira e apoiadores em um ato simbólico chamado de “caminhada pela liberdade” ao som de palavras de ordem como “o Brasil acordou” ao fundo.
O grupo luta e protesta contra as prisões consideradas pela extrema direita injustas, fazendo referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente encontra-se detido em regime fechado, e também aos brasileiros do ato de 8 de janeiro que foram presos (muitos em flagrante) pelo crime de dano qualificado ao patrimônio público, deterioração de patrimônio tombado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
Nikolas enfatiza que este é um ato simbólico em manifestação contra o que está acontecendo no Brasil (prisão de Bolsonaro e prisão de apoiadores), para que as pessoas lembrem quem são os brasileiros que, segundo ele, estão lutando por este país.
Iniciar agora um grande ato de caminhada pela justiça, andando pelas estradas do país, enfrentando sol, chuva, cansaço extremo, lábios ressecados, joelhos doloridos e uma pitada de comoção, poderia ser uma coincidência? Sim! Se o pastor da igreja que Nikolas frequenta e tem relação extremamente próxima não fosse citado na CPMI do INSS, ou se não tivesse acontecido a prisão de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, investigado na Operação Compliance Zero, que apura uma das maiores fraudes bancárias do país, ou ainda se o número de telefone do Deputado Nikolas Ferreira não tivesse aparecido na lista de contatos de Daniel Vorcaro durante a investigação.
Caetano, na década de 60, em uma fase pós-censura e repressão no Brasil, expressa revolução e liberdade em “caminhar livremente contra o vento sem lenço e sem documento”. Nikolas parece fazer o mesmo, mas em direção contrária, se considerarmos que ele está marchando em direção a Brasília, local em que estão sediados o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Controladoria-Geral da União (CGU), entidades que estão conduzindo as investigações que citam o colega Daniel e também o pastor de Nikolas.
O Deputado cumpre seu ato simbólico, marchando há cinco dias pela liberdade em direção a Brasília e, talvez, continue caminhando, mas não contra o vento, e sim em direção a um grande furacão de acontecimentos recentes que seguem com mais desdobramentos e, dessa vez, sem caminhada ou cortina de fumaça.